ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

02-06-2015

ENTREVISTA COM ENG. ITAMAR XAVIER Destaque

Avalie este item
(0 votos)

Convidamos o Eng. Ambiental Itamar Xavier para falar um pouco sobre a atuação deste profissional no mercado. Mais especificamente, a atuação do Engenheiro Ambiental na administração pública. Não deixe de conferir esta entrevista!

 

  

Engº Itamar Xavier

 

Engenheiro Ambiental pela Fundação Universidade do Tocantins - UNITINS, mestre em Gestão e Auditoria Ambiental pela Universitat Politécnica de Catalunya (Barcelona), especialista em Planejamento Urbano e Ambiental pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e especialista em gerenciamento de projetos para a gestão municipal de Recursos Hídricos pelo Instituto Federal do Ceará /Agência Nacional de Águas – IFCE/ANA.

Atualmente atua como Engenheiro Ambiental efetivo da Prefeitura Municipal de Palmas (TO), é diretor financeiro da Mútua-TO, diretor técnico do Consórcio Intermunicipal para a Gestão Integrada do Médio Tocantins (CI-Lago), presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas do Entorno do Lago da UHE Luis Eduardo Magalhães (CBHEL), conselheiro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Tocantins, do Conselho Estadual das Cidades de Tocantins e do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano de Palmas.

Contato através de email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

 

 

ANEAM - Saudações, Eng. Itamar. Para começar nossa conversa, poderia nos dizer mais sobre a sua Instituição, seu ramo de atuação e abrangência no cenário local? 

 

Itamar - A Prefeitura de Palmas na área ambiental, atua em várias das políticas setoriais previstas em legislação superior, dentre elas: licenciamento ambiental, fiscalização, monitoramento, Saneamento ambiental, planejamento e gestão territorial. Está presente na politica habitacional, desenvolvimento rural, áreas verdes, Unidades de Conservação, tem sua politica própria de meio ambiente em consonância com o Plano Diretor e todos outras políticas públicas. 

A Prefeitura de Palmas participa do Consórcio Intermunicipal Para Gestão Compartilhada da Bacia Hidrográfica do Médio Tocantins – CI-LAGO, composto por sete municípios, e nas últimas três gestões ocupa a Presidência do mesmo, entidade que, também, pode atuar em qualquer área da gestão municipal em que dois ou mais municípios tenham interesse. Uma das principais ações do CI-LAGO foi por muito tempo a de monitorar os impactos advindos da instalação da UHE- Luis Eduardo Magalhães (Lajeado), visto os impactos contemplados no EIA/RIMA e seus consequentes Planos Básicos ambientais – PBA’s, bem como os diversos outros impactos sócio ambientais não previstos nos estudos e também não dispostos nos PBA’s, visto a dinâmica de uma obra com tal magnitude.

Em função das Politicas Nacional e Estadual de Recursos Hídricos o CI-LAGO tem assento do Comitê das Bacias Hidrográficas do Entorno do Lago – CBHEL, do qual está na Presidência em segundo mandato, sendo que o membro representante e o Diretor Técnico.

 

 

ANEAM - Quais são as atividades de um Engenheiro Ambiental em uma empresa como uma Prefeitura Municipal? 

 

Itamar - Sou Funcionário efetivo desde o ano 2000. Fui admitido para atuar em qualquer uma das áreas citadas anteriormente, já estive no órgão ambiental local, onde participei da criação da Política Municipal de Meio Ambiente, de lá fui convidado para assumir uma função no Instituto de Planejamento Urbano, sendo o responsável pelo Planejamento Ambiental e na sequencia Coordenador do Plano Diretor Municipal, na área ambiental. Os trabalhos realizados me possibilitaram colaborar com a área de Desenvolvimento Econômico do Município, de lá fui para o CI-Lago como Diretor Responsável Técnico, local onde a atuação compreende várias politicas setoriais, dentre elas a Politica de Desenvolvimento e Planejamento Urbano, Politica de Meio Ambiente, Politica de Defesa Civil e Politica de Recursos Hídricos, nesta última via CI-LAGO somos membro do CBHEL, onde atualmente ocupamos a Presidência. Em outras Politicas, via Conferências locais/estadual e nacional, com o aporte do CI-LAGO chegamos a Delegado nas três etapas.

 

 

ANEAM - Como é o quadro de funcionários da Instituição?

 

Itamar - A Prefeitura de Palmas tem cerca de oito mil funcionários, entre efetivos, contratados e comissionados abarcando, praticamente, todas as áreas e profissões. Na área tecnológica – Engenharia, Agronomia e Arquitetura tem cerca de cem profissionais, dos quais treze são Engenheiros Ambientais.

 

 

ANEAM - Nesse contexto, qual é o diferencial que uma prefeitura deste porte obtém ao contratar um Engenheiro Ambiental para o seu quadro, em sua opinião?

 

Itamar - A politica ambiental é muito complexa, alias as políticas setoriais são muito complexas. A visão holística do Profissional de Engenharia Ambiental, sem de maneira alguma desmerecer outros profissionais é muito ativa possibilitando sua atuação em várias frentes, colaborando de sobremaneira com a forma sistêmica desprendida ou solicitada pelo gestor.

Entendo como inconcebível que uma Instituição como o executivo municipal, de qualquer porte e tamanho seja em seu quadro próprio ou Consorciado, não tenha a figura do Profissional da Engenharia Ambiental.

 

 

ANEAM - Uma demanda que se destacou no mercado nos últimos tempos é a elaboração de Planos de Saneamento para os municípios. Como é a atuação da Prefeitura Municipal de Palmas nessa área e quais são as recomendações para os Engenheiros Ambientais que pretendam ingressar nesse nicho?

 

Itamar - A Prefeitura Municipal de Palmas, assim como a imensa maioria, por que não dizer todas as Prefeituras do Brasil, se viram obrigadas, por força de Lei a constituir seus Planos de Saneamento. Aqui ele foi realizado em sua plenitude cabendo a um Engenheiro Ambiental, parte de sua coordenação. 

Esse nicho é grandioso, vários municípios brasileiros ainda não concretizaram seus planos e outros que o aprovaram ainda não iniciaram sua execução, parte esta que é mais demorada e complexa, onde poderá exigir do profissional um desprendimento ativo, em função de possíveis planos latentes, lembrando que os lixões ainda existem e são muitos. A disposição final ambientalmente adequada ainda é um projeto, executá-lo em conformidade com as propostas depende muito de bom projetos e de verbas e verbas Federais, visto que a maioria desses municípios, mesmo que consorciados não dispõem de condições financeiras com tal envergadura.

 

 

ANEAM - Quais são as perspectivas da Prefeitura Municipal de Palmas para os próximos anos? 

 

Itamar - Palmas é uma cidade nova, estamos este ano (2015) completando 26 anos de lançamento da pedra fundamental (20 de maio de 1989) a cidade veio a ser, efetivamente, implantada em 01 de janeiro de 1990. Estamos atualmente com cerca de duzentos e cinquenta mil habitantes e sendo destaque entre os melhores vinte e cinco municípios brasileiros para investimento. Portanto aqui tudo esta por fazer e fazer bem feito, com a possibilidade de minimizar os erros cometidos e maximizar os acertos de outros municípios, visão também compartilhada pelo atual Prefeito Carlos Amastha, que ainda não paga o piso mínimo de nove salários mínimos para os Profissionais em sua fase inicial, mas chegaremos lá.

 

 

ANEAM - O que você acha que é necessário para que a Engenharia Ambiental se consolide no mercado, levando em conta que se trata de um curso novo? 

 

Itamar - Sou da segunda turma de Engenheiros Ambientais do Brasil, iniciei em 1993 e formei em 1997, pela Fundação Universidade do Tocantins – UNITINS, IES que eu tenho o maior orgulho de ter sido parte de seu corpo discente. De lá para cá passamos por situações complexas discutindo com vários profissionais de outras áreas, com o CREA/Confea e com os próprios profissionais Eng. Amb. Um curso “novo” sempre causa distúrbio, visto a possibilidade de “sombreamento”. Porém entendo que se houve a necessidade de inserir no mercado, profissionais com habilidades especiais é por que os anteriores não estavam à altura da demanda. Lembrem-se: considerando fatores técnicos reais. E assim, a partir de então não deveria se considerar o dito sombreamento.

A consolidação virá com a mostra da qualidade dos serviços e projetos, da atuação em equipe, da efetiva capacitação dos profissionais, da dinâmica proposta pelos “bons” cursos de Engenharia ambiental – estamos falando de Engenharia. E, claro da UNIÃO desses Profissionais a nível local, regional e nacional. 

Sem a efetiva participação em reuniões, o fortalecimento da categoria ficará mais difícil e essa consolidação poderá ser prejudicada. Deponho com conhecimento de causa, se não tivermos unidos o prejuízo profissional poderá ser muito grande.

 

 

ANEAM - Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos graduandos de Engenharia Ambiental e vestibulandos que pretendem cursar Engenharia Ambiental?

 

Itamar - Caros Graduandos existem poucos outros cursos que são mais interessantes que o de Engenharia Ambiental, dentre eles enfatizo com prazer a Especialização em Planejamento Ambiental Urbano e o Mestrado em Planejamento Ambiental, o doutorado logo sai. Aguardamos um enorme número de formandos logo, logo. E não se esqueçam de participar e colaborar com suas Associações Profissionais.

Caros (as) pretendentes a cursar Engenharia Ambiental venham, mas venham com paixão. Venham para fazer a diferença. Aqui somos todos estimulados a crescer e crescer muito, mas não sozinhos. Levamos juntos nossos colegas, nossos parceiros, nossos familiares, nossa comunidade, nós próprios. O Desenvolvimento Sustentável parte da premissa Ambiental.

  

 

COMUNICAÇÃO ANEAM 

 

 

Última modificação em Terça, 02 Junho 2015 13:06

Add comment


Security code
Refresh

Associação dos Engenheiros Ambientais

Top Desktop version