ANEAM - Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais

19-08-2015

ENTREVISTA COM A ENGENHEIRA AMBIENTAL EMILIANA FONSECA

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Entrevista: Emiliana Fonseca, Engenheira Ambiental e Mestre em Sistemas Energéticos Sustentáveis atuando no setor Eólico

 

Emiliana, em primeiro lugar gostaria de agradecer muito a sua participação e dizer que com certeza a sua ajuda vai fazer diferença na vida de muitas pessoas. Gostaria que falasse um pouco mais sobre o setor que atua e quais são as suas atribuições na empresa?

 

Emiliana: Atuo no Setor Elétrico, especificamente no Setor Eólico, há quase 3 anos.  O Setor Eólico é relativamente novo, uma vez que a fonte eólica participou pela primeira vez de um leilão de energia apenas no ano de 2009. Desde então, estamos crescendo exponencialmente no decorrer dos anos e já conseguimos desenvolver toda a indústria eólica em terras Brasileiras, aproveitando da experiência e tecnologias de empresas estrangeiras, especialmente as europeias que atuam neste segmento há algumas décadas. Este é um setor tecnológico que demanda inovações na área elétrica, mecânica e em processos de gestão de um modo geral, incluindo o Ambiental.

Sou analista técnica na Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, que tem sede na cidade de São Paulo. O trabalho das Associações é muito interessante, apesar de pouco conhecido. Como exemplo desta atuação, gostaria de utilizar a ABEEólica para ilustrar a importância de uma Associação.

A ABEEólica congrega mais de 90 empresas que atuam em toda a cadeia produtiva do Setor Elétrico e a principal função da empresa é defender os interesses de todo o Setor, dialogar com o Governo (Federal e Estaduais) com o objetivo de contribuir na solução de problemas macro que possam dificultar o desenvolvimento da fonte. Também somos a porta de entrada para empresas estrangeiras que desejam investir no Brasil.

 

Qual foi o caminho que você traçou para chegar ao setor energético (cursos, processos seletivos, experiência anterior)?

 

Emiliana: Assim que me graduei em Engenharia Ambiental, pela UFOP, sabia que precisava fazer algum curso de especialização e focar em uma das várias áreas que um Engenheiro Ambiental pode atuar. Acredito que a especialização em uma área é imprescindível para um profissional que possui uma formação tão ampla e diversificada como a de um Engenheiro Ambiental. É claro que esta especialização não impossibilitava a atuação nas demais áreas, mas garante ao profissional maior atratividade no Mercado de Trabalho.

Escolhi a área de Energia e mais especificamente a Elétrica porque os processos e atividades industriais e residenciais estão cada vez mais dependentes deste vetor energético, e a tendência é ampliar tal dependência. Há muitas possibilidades de promover a “Sustentabilidade” em todos os segmentos de Energia, é possível produzir a mesma energia (ou mais) com menos recursos. O Engenheiro Ambiental é fundamental para esta tarefa!

 

Realizou outros cursos além da graduação? Quais?

 

Emiliana: Acho fundamental manter-se atualizado e estudar sempre… Além da Graduação, fiz o Mestrado em Sistemas Energéticos Sustentáveis e atualmente faço Pós Graduação na USP em Gestão de Negócios em Energia Elétrica.

No Setor Elétrico há muitas empresas que ministram cursos dos mais diversos temas como regulação e comercialização de energia, meio ambiente, operação e manutenção de usinas, direito de energia, entre outros… Vale sempre pesquisar na internet o calendário de realização destes cursos, que são sempre ministrados por profissionais experientes do Setor.

 

Dos cursos que realizou, quais você considera importante para a sua atuação hoje na empresa?

 

Emiliana: Considero a graduação em Engenharia Ambiental o curso mais relevante para a minha atuação na empresa. Mas é claro que a minha experiência no Mestrado, especialmente as competências pessoais que adquiri neste período, como aprimoramento da capacidade de realizar tarefas distintas tem sido muito útil para as minhas atribuições profissionais.

 

Há algum curso novo que você pretende fazer? Pode falar mais sobre ele e sua importância?

 

Emiliana: Assim que terminar a pós que estou cursando na USP pretendo fazer algum curso relacionado ao Direito de Energia. O Setor Elétrico é muito complexo do ponto de vista de regulação e há muita interface na área do Direito. Acho fundamental ter mais conhecimento, além da prática, sobre este tema.

 

Como você vê o papel do Engenheiro ambiental no Setor Elétrico?

 

Emiliana: Assim como nos demais Setores, a atuação do Engenheiro Ambiental é tímida e algumas empresas ainda não entenderam a importância em ter um profissional multidisciplinar com as competências de um Engenheiro Ambiental, ainda que seja no segmento de energias renováveis.

Porém, acredito que o campo de atuação de um profissional na área ambiental é vastíssimo e vai desde comercialização de crédito de carbono, passando pela realização de estudos para atestar viabilidade ambiental do empreendimento, gestão de programas ambientais,desenvolvimento de projetos socioambientais até a avaliação ambiental para a concessão de financiamentos.

 

Quais os pontos positivos que facilitam esta atuação?

 

Emiliana: O Engenheiro Ambiental é um gestor por formação, que detém conhecimento tanto do meio onde o empreendimento será instalado quanto das operações e do negócio propriamente dito. É um profissional que conhece e pode atuar em todas as fases de desenvolvimento e operação de uma usina, planta de exploração ou unidade fabril.

 

Há alguma carência nos cursos de Engenharia Ambiental  que atrapalham a atuação no  setor energético?

 

Emiliana: Durante a minha Graduação senti falta de disciplinas mais focadas na área de Energia, funcionamento do Sistema Elétrico Brasileiro, estudos de impacto de usinas de geração de eletricidade de diversas fontes desde a hidrelétrica até as atuais e mais modernas usinas eólicas e fotovoltaicas.

As poucas informações que tive estavam mais relacionadas ao Setor de Petróleo e Gás. Acho que o ideal seria criar ramos para disciplinas e pesquisas sobre diversos segmentos, para que os alunos possam ainda na faculdade ter uma especialização mais sólida neste tema.

 

Há algum setor especifico que você observa uma carência de profissionais?

 

Emiliana: Não. O engenheiro ambiental tem ocupado posições em todos os setores de atividade e acredito que atualmente haja índices semelhantes de contratação destes profissionais.

 

Caso estivesse hoje na graduação, com a experiência profissional que tem, o que faria diferente?

 

Emiliana: Caso eu estivesse hoje na Graduação, e considerando as experiências que adquiri nos últimos anos, teria me empenhado ainda mais para fazer mais estágios profissionais. Conhecimento técnico e acadêmico é essencial, mas a vivência em um ambiente corporativo é fundamental para destacar um profissional no mercado de trabalho. E neste sentido, deixo a dica de realizar estágios em empresas diferentes e em áreas diferentes para ampliar o leque de oportunidades e conhecimento.

 

Por último gostaria que deixasse um recado para os futuros engenheiros ambientais que desejam atuar no setor energético.

 

Emiliana: Grande parte das empresas que atuam no Brasil, infelizmente, ainda não compreende a atuação do Engenheiro Ambiental. Somos frequentemente confundidos com ambientalistas radicais, ou facilitadores de um processo administrativo moroso, e a área ambiental é tida como supérflua para as organizações, de diversos segmentos de atividade. Não há o entendimento de que esta é uma nova maneira de pensar em negócios, produção e competitividade. Estas afirmações podem a princípio, parecerem contraditórias às respostas anteriormente dadas nesta entrevista. Contudo, tenho a convicção de que este cenário será certamente diferente no futuro. Já avançamos muito para retrocedermos…

Para os meus futuros colegas, peço que se empenhem aproveitando toda e qualquer oportunidade profissional que apareça mesmo aquelas que a princípio pareçam pouco interessantes, e que não desistam tão fácil de suas carreiras.

 


Fonte: Engenharia Ambiental Concursos

 

 

Última modificação em Domingo, 23 Agosto 2015 17:42

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